Abre aspas

Já perdi a conta de quantos animais já degolamos, esquartejamos, dissecamos ou atropelamos na Raimundo. Mas poucos fizeram tão de maneira tão poética, tão filosófica, tão ensanguentada quanto Marina Skylab, no conto de Davi Boaventura, em nossa Edição amarrada em um poste.

Fotografei a cabeça dos onze pássaros que degolei no primeiro mês e dos seis do mês seguinte para que eu pudesse observar outra vez um pouco antes de dormir e procurei catalogar cada um de acordo com a cor, penugem, bico, formato dos olhos, onde comprei e horário da morte. Em um verso de caderno, eu listei sete pardais, cinco canários, um sabiá e quatro cotovias. Mas depois, no terceiro mês, de repente os pássaros não me interessavam mais e experimentei um hamster e me repeti na semana seguinte e novamente quatro dias mais tarde, matando quatro no total já que no último dia matei dois. Quando eu já planejava matar um cachorro, ou um coelho, desisti dos animais porque, apesar de estar cada vez mais perto do instante onde eu simplesmente iria olhar e iria entender e iria respirar aliviada, percebi não ser possível descobrir o que eu pretendia descobrir com pássaros nem com coelhos ou cachorros e nem com animal nenhum.

Anúncios

Abre aspas

Dei uma repaginada básica no blog com a intenção de fazer a coisa aqui ficar mais ativa. A ideia agora é que o blog da Raimundo passe a funcionar mais como um blog pessoal… dos editores! Ou seja, meu e da Raquel. E provavelmente mais meu por enquanto já que a Raquel está de mudança e certamente não tem tempo pra blog por enquanto. Enfim. Em suma, vamos usar esse espaço pra postar algumas ideias quando tivermos ideias, e na maior parte do tempo vamos falar de coisas que estamos lendo, gostando, descobrindo, divulgando eventos, ou simplesmente postando foto de bibliotecas fofas ou de capas colordinhas de livros. Fantástico né?

Pra ver se a coisa pega no tranco, começo com o primeiro post da série Abre aspas, onde colocarei, enfim, as citações que eu quiser colocar. E pra começar, nada melhor que um bom começo, com o parágrafo que abre o conto “Sobre cães e olhos” de Thais Lancman, lá na já longínqua edição inaugural da Raimundo.

Um chiuahua sem um olho de uma cidadezinha em Louisiana é o mais próximo que eu tenho de um amigo. Vejo diariamente as as fotos que seu dono publica na Internet, e por meio delas sei como ele se sente. O olhar pela metade do cachorro diz mais que as roupinhas e o cenário que o seu dono prepara para cada imagem. Eu sei o que ele sente, nós sabemos.