Textões #1

Série de post é a melhor coisa que já inventaram na blogosfera. Dá pra postar um monte de coisa e nem sinto que estou postando, é MÁGICO. Tenham certeza de que séries, vocês encontrarão por aqui. Instruções: sempre que eu escrever “Textões” no título do post, vou dar uma geral em coisas legais que tenho lido por aí, seja literatura, seja sobre literatura, seja em português, inglês ou espanhol. Prático, didático, e talvez até interessante! Hoje temos:

> Escritoras de América Latina, al fin visibles. Matéria do Babelia, do El País. Tenta fazer um diagnóstico dos obstáculos para a visibilidade da nova (ou não tão nova) literatura feminina na região. De certa forma identifica um problema de duplo estereótipo, o de literatura feminina frequentemente encaixotado no “chic lit”, e de literatura latino-americana encaixotada em regional, o que é sempre frustrante quando se tenta falar, sei lá, de dentro de um pequeno quarto fora do mundo com uma cama, mesa e mente perturbada. A matéria vai longe em listas de autoras e em comentários sobre o tema, e com um tom geral otimista.

> Sem paraquedas. Conto de Deborah Delancy na Garganta da Serpente.  Existe todo um mundo literário underground (underground é rótulo meu, mas quem sou eu para rotular os outros? enfim) de textos de literatura de desespero (de novo, rótulo meu). De autoras e autores quase anônimos que estão a beira de abismos, atormentados por todas as tormentas do cosmos, saltando em vazios sem paraquedas, como Debora Delancy. É impressionante a facilidade com que esse mundo é relegado aos cantos marginais da web. Como ignorar uma multidão de saltos no vazio? “Diversas vezes ela se via a beira de um penhasco, prestes a pular, mas sem saber qual pé usar para dar tal passo”.

> Seeing Again the Whistle in Childhood My Whistling Now as Wind Blowing by the Window. Poema em prosa de Kim Kyung-Ju, na edição deste mês da Asian Literary Review. Me afundei um pouquinho agora há pouco nesse curtíssimo poema-prosa de palavras que voam como assobios e balançam árvores na “única estrada que não existe no mundo”.

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Abre aspas

Dei uma repaginada básica no blog com a intenção de fazer a coisa aqui ficar mais ativa. A ideia agora é que o blog da Raimundo passe a funcionar mais como um blog pessoal… dos editores! Ou seja, meu e da Raquel. E provavelmente mais meu por enquanto já que a Raquel está de mudança e certamente não tem tempo pra blog por enquanto. Enfim. Em suma, vamos usar esse espaço pra postar algumas ideias quando tivermos ideias, e na maior parte do tempo vamos falar de coisas que estamos lendo, gostando, descobrindo, divulgando eventos, ou simplesmente postando foto de bibliotecas fofas ou de capas colordinhas de livros. Fantástico né?

Pra ver se a coisa pega no tranco, começo com o primeiro post da série Abre aspas, onde colocarei, enfim, as citações que eu quiser colocar. E pra começar, nada melhor que um bom começo, com o parágrafo que abre o conto “Sobre cães e olhos” de Thais Lancman, lá na já longínqua edição inaugural da Raimundo.

Um chiuahua sem um olho de uma cidadezinha em Louisiana é o mais próximo que eu tenho de um amigo. Vejo diariamente as as fotos que seu dono publica na Internet, e por meio delas sei como ele se sente. O olhar pela metade do cachorro diz mais que as roupinhas e o cenário que o seu dono prepara para cada imagem. Eu sei o que ele sente, nós sabemos.